A dificuldade para engravidar é uma experiência emocionalmente intensa que afeta aproximadamente 1 em cada 6 casais em algum momento da vida reprodutiva. No Brasil, estima-se que 15% dos casais em idade reprodutiva enfrentem algum grau de infertilidade, definida como a ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares sem uso de contracepção. O diagnóstico precoce e a investigação adequada transformam o prognóstico: a maioria das causas de infertilidade tem tratamento eficaz, e muitos casais conseguem engravidar sem precisar de FIV.
A Dra. Gabriela Laboissiere, com CRM-DF 21283 e RQE 16195, especialista em Ginecologia Endócrina e Reprodutiva com Fellowship no Instituto Dexeus em Barcelona, referência internacional em reprodução humana, oferece avaliação completa de fertilidade feminina no Santos Dumont Medical Center, SHIS QI 1, Lago Sul, Brasília-DF. O atendimento é humanizado, com explicações claras em cada etapa do processo, e o plano terapêutico é construído de acordo com as condições clínicas e os objetivos do casal.
O que é infertilidade e quando buscar avaliação?
A infertilidade é definida como a incapacidade de alcançar gravidez clínica após 12 meses de relações sexuais regulares e sem anticoncepção, em casais onde a mulher tem menos de 35 anos. Esse prazo cai para 6 meses para mulheres com 35 anos ou mais, pela queda natural da reserva ovariana e da qualidade oocitária com a idade. Porém, a investigação pode e deve ser iniciada mais cedo quando há:
- Irregularidade menstrual conhecida: SOP com anovulação, ciclos muito longos ou amenorreia, a ovulação ausente ou irregular impede a gravidez espontânea e a investigação não deve aguardar 12 meses.
- SOP ou endometriose diagnosticadas: Condições que afetam diretamente a fertilidade, avaliação especializada desde o início das tentativas.
- Perdas gestacionais repetidas: Dois ou mais abortamentos espontâneos consecutivos, investigação específica de causas cromossômicas, uterinas, imunológicas e hormonais.
- Idade acima de 40 anos: A investigação deve ser iniciada imediatamente, sem período de espera.
- Desejo de preservar a fertilidade: Mulheres que ainda não querem engravidar mas desejam avaliar a reserva ovariana e discutir opções de preservação. Veja mais em Preservação da Fertilidade em Brasília.
- Histórico de cirurgias pélvicas: Cirurgias de endometriose, ovarianas, tubárias ou uterinas que possam ter comprometido a anatomia ou a reserva ovariana.
Sintomas que podem indicar problema de fertilidade
Além da dificuldade de engravidar em si, alguns sintomas orientam a investigação:
- Irregularidade menstrual ou ausência de menstruação: Sinal de anovulação, sem ovulação, não há gravidez espontânea possível.
- Cólica menstrual intensa e dor pélvica crônica: Sugestivos de endometriose, que está presente em 30-50% das mulheres com infertilidade.
- Dor nas relações sexuais: Dispareunia de penetração profunda, outro sinal de endometriose ou aderências pélvicas.
- Histórico de infecção pélvica (DIP) ou DST: Clamídia e gonorreia podem causar obstrução tubária silenciosamente, investigação da permeabilidade tubária é indicada.
- Galactorreia (saída de leite sem amamentar): Sinal de hiperprolactinemia, bloqueia a ovulação.
- Sintomas de hiperandrogenismo: Acne, hirsutismo, queda de cabelo, sugestivos de SOP com anovulação.
- Abortamentos de repetição: Dois ou mais perdas gestacionais, investigação específica com cariotipagem do casal, painel de trombofilia, avaliação imunológica e uterina.
Causas e fatores de risco da infertilidade feminina
A infertilidade tem causa identificável na maioria dos casos, e frequentemente múltiplos fatores coexistem:
- Fator ovulatório (40% dos casos femininos): A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a principal causa de anovulação. Hipotireoidismo, hiperprolactinemia, baixa reserva ovariana e insuficiência ovariana primária também causam disfunção ovulatória.
- Fator tubário (30% dos casos femininos): Obstrução das trompas de Falópio por infecção prévia (clamídia, DIP), cirurgia tubária ou aderências por endometriose. Sem trompas pérvias, a fertilização espontânea é impossível.
- Fator uterino: Miomas submucosos, pólipos endometriais, síndrome de Asherman (aderências intrauterinas) e malformações uterinas podem comprometer a implantação embrionária.
- Endometriose: Presente em 30-50% das mulheres inférteis, compromete a qualidade oocitária, o ambiente pélvico, a função tubária e a receptividade endometrial. Veja mais em Endometriose em Brasília.
- Fator masculino (40-50% dos casais): O fator masculino está presente em quase metade dos casos de infertilidade conjugal, espermograma com parâmetros abaixo do normal (oligozoospermia, astenozoospermia, teratozoospermia) deve ser investigado simultaneamente à avaliação feminina.
- Infertilidade inexplicada (10-15%): Após investigação completa sem causa identificada, tratamento empírico com indução de ovulação ou FIV.
- Idade: A fertilidade feminina começa a declinar após os 32 anos, declina mais rapidamente após os 37 e cai acentuadamente após os 40, a qualidade oocitária é o fator limitante principal.
Como é feito o diagnóstico de fertilidade
A avaliação da fertilidade feminina pela Dra. Gabriela Laboissiere é sistemática e inclui:
Avaliação da reserva ovariana: O AMH (Hormônio Antimülleriano) é o melhor marcador de reserva ovariana disponível, reflete a quantidade de folículos em crescimento nos ovários e pode ser coletado em qualquer dia do ciclo. A Contagem de Folículos Antrais (CFA) por ultrassom transvaginal, realizada nos dias 2-5 do ciclo, quantifica os pequenos folículos visíveis em cada ovário. AMH abaixo de 1 ng/ml (ou conforme curva de idade) e CFA abaixo de 7 folículos totais indicam reserva diminuída. O FSH no 2º-3º dia do ciclo, quando acima de 10-12 UI/L, também sugere baixa reserva.
Avaliação da ovulação: Monitoramento ultrassonográfico folicular seriado (ultrassons a cada 2-3 dias na fase folicular) para documentar o crescimento e a ruptura do folículo dominante. Progesterona sérica na fase lútea (dia 21 do ciclo de 28 dias), valores acima de 3 ng/ml confirmam ovulação.
Avaliação uterina e tubária: Ultrassom transvaginal 3D para morfologia uterina, endométrio e ovários. Histerossalpingografia (HSG) com contraste para avaliação da permeabilidade tubária, exame de primeira linha para fator tubário. Histeroscopia diagnóstica para avaliação da cavidade endometrial quando há suspeita de pólipo, mioma submucoso ou sinéquias. Hidrossonografia como alternativa menos invasiva ao HSG para avaliação uterina.
Painel hormonal completo: FSH, LH, estradiol e AMH (reserva e eixo reprodutivo), progesterona lútea (confirma ovulação), prolactina (hiperprolactinemia), TSH e T4L (tireoide), testosterona e SHBG (SOP), insulina (resistência insulínica).
Fator masculino: Espermograma do parceiro, avaliação de concentração, motilidade progressiva e morfologia (critérios Kruger estritos). Análise de fragmentação de DNA espermático quando espermograma normal com infertilidade inexplicada ou perdas repetidas.
Tratamentos disponíveis: do baixo ao alto complexidade
O tratamento é escolhido conforme a causa identificada, a faixa etária e o tempo de tentativa:
- Indução de ovulação com letrozol: Primeira linha para anovulação por SOP, estimula o desenvolvimento de 1-2 folículos dominantes para ovulação programada. Taxa de ovulação de 70-80% por ciclo, taxa de gravidez de 20-25% por ciclo monitorado. Superior ao citrato de clomifeno em eficácia e segurança.
- Monitoramento folicular e coito programado: Ultrassons seriados para identificar o momento ideal da ovulação e programar o coito, útil em casais com ciclos irregulares sem fator tubário ou masculino grave.
- Inseminação Intrauterina (IIU): Deposição de espermatozoides selecionados diretamente na cavidade uterina no momento da ovulação, indicada em fator masculino leve a moderado, fator cervical, ou após falha de coito programado. Taxa de gravidez de 10-20% por ciclo.
- FIV (Fertilização in Vitro): Indicada quando há obstrução tubária bilateral, fator masculino grave, múltiplas falhas de IIU, endometriose avançada, baixa reserva ovariana ou idade avançada. Taxa de sucesso varia conforme a faixa etária e a reserva ovariana, melhor nos centros de referência.
- FIV com diagnóstico genético pré-implantacional (PGT-A): Biópsia embrionária com análise cromossômica antes da transferência, indicada em perdas repetidas, faixa etária avançada ou falhas de FIV.
Investigação clínica aprofundada: o que a Dra. Gabriela avalia
A avaliação da fertilidade pela Dra. Gabriela vai além dos exames técnicos:
- Qualidade do sono e estresse: O cortisol elevado por estresse crônico inibe a ovulação e reduz a qualidade oocitária. A insônia crônica afeta negativamente o eixo reprodutivo. O manejo do estresse é parte da preparação para tratamento de fertilidade.
- Nutrição e suplementação: Ácido fólico (5-methyltetrahidrofolato para mulheres com MTHFR), coenzima Q10 (melhora a qualidade oocitária, evidência robusta), vitamina D, ômega-3, suplementação orientada por exames.
- Peso e composição corporal: Tanto obesidade quanto baixo peso comprometem a fertilidade, a normalização do IMC melhora as taxas de ovulação espontânea e de sucesso nos tratamentos.
- Histórico de DSTs e infecções: Clamídia assintomática passada é causa frequente de dano tubário silencioso, sorologias e cultura quando indicado.
- Saúde mental do casal: O impacto emocional da infertilidade é intenso, ansiedade, depressão, conflitos conjugais são frequentes. O acompanhamento psicológico especializado em reprodução humana é recomendado.
Riscos da postergação e da automedicação
A postergação da investigação de fertilidade é um dos erros mais frequentes, especialmente em mulheres acima de 35 anos. Cada ano de espera sem investigação pode representar perda significativa de reserva ovariana e qualidade oocitária. Mulheres acima de 40 anos que aguardam 12 meses antes de buscar avaliação perdem um tempo precioso em que os tratamentos teriam maior eficácia.
A automedicação com "indutores de ovulação", especialmente o citrato de clomifeno comprado sem prescrição, é um risco real: sem monitoramento ultrassonográfico, a indução pode resultar em gravidez múltipla (gêmeos, trigêmeos), síndrome de hiperestimulação ovariana e uso desnecessário de medicamento em mulheres que já ovulam. Além disso, tratar a anovulação sem identificar a causa pode resultar em meses de tentativas ineficazes, uma mulher com obstrução tubária bilateral que induz ovulação não vai engravidar, independentemente de quantos ciclos tente.
Quando procurar especialista imediatamente
- Tentando engravidar há mais de 12 meses (ou 6 meses se acima de 35 anos) sem sucesso, investigação não deve ser postergada.
- Dois ou mais abortamentos espontâneos, investigação específica de perdas repetidas.
- Irregularidade menstrual ou ausência de menstruação em mulher tentando engravidar, investigação imediata de causa da anovulação.
- Diagnóstico prévio de SOP, endometriose ou obstrução tubária, investigação especializada desde o início das tentativas.
- Acima de 40 anos querendo engravidar, avaliação imediata de reserva ovariana e planejamento do melhor tratamento.
- Diagnóstico oncológico com tratamento que afetará os ovários, avaliação urgente de preservação de fertilidade antes do início do tratamento.
Perguntas frequentes sobre fertilidade e reprodução humana
AMH baixo significa que não posso engravidar?
Não, AMH baixo indica reserva ovariana diminuída, o que significa menos folículos disponíveis, mas não zero. Mulheres com AMH baixo conseguem engravidar, espontaneamente ou com tratamentos de reprodução assistida, embora as taxas de sucesso sejam menores que em mulheres com reserva normal para a idade. O que o AMH baixo indica é urgência: não há tempo a perder. Mulheres com AMH reduzido devem iniciar a investigação de fertilidade imediatamente e considerar preservação de fertilidade (congelamento de óvulos) se ainda não estiverem prontas para engravidar. A janela de fertilidade dessas mulheres pode ser mais curta que a média.
Quantos ciclos de indução de ovulação fazer antes de ir para FIV?
A diretriz geral recomenda 3 a 6 ciclos de indução de ovulação com monitoramento (coito programado ou IIU) antes de considerar FIV, desde que as trompas sejam pérvias, o fator masculino seja adequado e a reserva ovariana permita. No entanto, esse número é influenciado pela faixa etária: mulheres acima de 37-38 anos têm janela menor e podem ir para FIV após 2-3 ciclos sem sucesso. Mulheres com endometriose avançada ou fator tubário bilateral vão diretamente para FIV. A decisão é individualizada, não existe protocolo único para todos os casais.
Endometriose impede definitivamente a gravidez?
Não, a endometriose dificulta a gravidez, mas não a impede na maioria dos casos. A doença em estágio leve (I-II) frequentemente não impede gravidez espontânea. Nos estágios mais avançados (III-IV), com aderências e endometriomas, o tratamento cirúrgico laparoscópico pode melhorar as taxas de gestação espontânea. Para mulheres que não conseguem engravidar espontaneamente com endometriose, a FIV tem excelentes resultados. A preocupação principal em mulheres com endometriose e endometriomas ovarianos é a reserva ovariana, o AMH deve ser avaliado regularmente, e a cirurgia ovariana deve ser ponderada cuidadosamente para evitar redução adicional da reserva.
Posso engravidar com SOP?
Sim, a SOP é uma das causas de infertilidade mais responsivas ao tratamento disponíveis. A principal barreira na SOP é a anovulação: sem ovulação, não há gravidez espontânea. Com indução de ovulação por letrozol e monitoramento ultrassonográfico, a taxa de ovulação por ciclo é de 70-80% e a taxa de gravidez acumulada em 6 ciclos é de 60-70%. Após a otimização do ciclo com letrozol, a grande maioria das mulheres com SOP que desejam engravidar consegue sem precisar de FIV. O tratamento da resistência insulínica associada (metformina, inositol, dieta de baixo IG) também melhora a qualidade oocitária e o ambiente endometrial.
A preservação de fertilidade vale a pena?
Depende da faixa etária e da reserva ovariana. Para mulheres com boa reserva ovariana até os 35 anos, a vitrificação de óvulos é uma estratégia válida para "pausar o relógio biológico", com taxas de sucesso (bebê nascido vivo) por lote de 15-20 óvulos em torno de 50-70% para mulheres abaixo de 35 anos. Após os 37-38 anos, a qualidade oocitária cai progressivamente e são necessários mais óvulos para atingir a mesma taxa de sucesso. A preservação é particularmente recomendada para mulheres antes de tratamento oncológico (urgência absoluta), mulheres com AMH baixo para a idade, com endometriose bilateral ou histórico familiar de menopausa precoce. A avaliação individualizada da reserva ovariana é o ponto de partida para essa decisão.
As informações desta página têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. Cada caso é individual: a investigação de fertilidade, suas indicações, benefícios e riscos, incluindo indução de ovulação e reprodução assistida, devem ser avaliados presencialmente pela Dra. Gabriela Laboissiere (CRM-DF 21283 | RQE 16195), a partir do histórico e do perfil de cada paciente e do casal.
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Dra. Gabriela Laboissiere, Santos Dumont Medical Center, SHIS QI 1, Lote B, Bloco A, Sala 101-4, Lago Sul, Brasília-DF, CEP 71.605-170.
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Quando devo procurar avaliação de fertilidade?
Mulheres até 35 anos devem buscar avaliação após 12 meses de tentativa sem sucesso. Mulheres acima de 35 anos, após 6 meses. Mas em casos de ciclos irregulares, histórico de endometriose, SOP, múltiplos abortos ou desejo de preservar a fertilidade, a avaliação pode ser antecipada.
O que é reserva ovariana e como é avaliada?
A reserva ovariana é a quantidade de folículos (óvulos potenciais) que a mulher ainda tem disponíveis. É avaliada pelo AMH (hormônio antimülleriano) e pela contagem de folículos antrais na ultrassonografia transvaginal. Permite estimar a janela reprodutiva da paciente.
O que é inseminação intrauterina (IIU)?
A IIU é uma técnica de reprodução assistida de baixa complexidade que consiste na deposição de espermatozoides preparados diretamente no interior do útero no momento da ovulação, aumentando as chances de fertilização. É menos invasiva e menos onerosa que a FIV.
Endometriose impede definitivamente a gravidez?
Não necessariamente. O impacto na fertilidade depende do grau da doença, da localização das lesões e da reserva ovariana. Muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente ou com técnicas de baixa complexidade. Cada caso exige avaliação individual.
Como preservar a fertilidade antes de um tratamento oncológico?
O congelamento de óvulos (vitrificação de oócitos) é a principal técnica de preservação de fertilidade indicada antes de quimioterapia ou radioterapia que possa afetar os ovários. A decisão deve ser tomada o mais cedo possível após o diagnóstico oncológico.
Fontes e referências
As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência. Consulte sempre uma profissional de saúde habilitada para orientações personalizadas.
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