O climatério e a menopausa são fases naturais e inevitáveis da vida feminina, mas os sintomas que as acompanham não precisam ser simplesmente tolerados. Fogachos que interrompem o sono, ressecamento vaginal que compromete a vida sexual, alterações de humor que afetam os relacionamentos, perda de memória que preocupa no trabalho, dores articulares que limitam a atividade física, tudo isso tem tratamento eficaz, seguro e baseado em evidências robustas. A menopausa não é uma doença, mas é uma fase de vulnerabilidade que, sem acompanhamento adequado, aumenta o risco cardiovascular, a perda óssea e o declínio cognitivo.

A Dra. Gabriela Laboissiere, com CRM-DF 21283 e RQE 16195, especialista em Ginecologia Endócrina e Reprodutiva com Fellowship no Instituto Dexeus em Barcelona e pós-graduação pelo Hospital Sírio-Libanês, oferece acompanhamento especializado do climatério e menopausa no Santos Dumont Medical Center, SHIS QI 1, Lago Sul, Brasília-DF, incluindo terapia de reposição hormonal (TRH) personalizada com hormônios bioidênticos e alternativas não hormonais para quem não pode ou não deseja fazer reposição.

O que é climatério, menopausa e perimenopausa?

Esses termos são frequentemente confundidos, mas têm significados clínicos precisos:

  • Climatério: O período de transição entre a fase reprodutiva e o pós-menopausa, pode durar de 5 a 15 anos, começando antes do último período e estendendo-se anos após ele. É uma fase, não um evento.
  • Menopausa: Um evento pontual, definido retroativamente como 12 meses consecutivos sem menstruação, sem causa patológica identificada. Ocorre em média aos 51 anos no Brasil, mas pode variar de 45 a 58 anos na faixa de normalidade.
  • Perimenopausa: A fase imediatamente anterior à menopausa, quando os ovários começam a produzir menos estrogênio de forma errática. É a fase mais sintomática, ciclos irregulares, fogachos, insônia e alterações de humor intensos. Pode durar de 2 a 10 anos.
  • Pós-menopausa: Todo o período após o diagnóstico de menopausa. Os níveis de estrogênio são consistentemente baixos, e os riscos de osteoporose e doença cardiovascular aumentam progressivamente.
  • Menopausa precoce: Entre 40 e 45 anos, exige avaliação especial e TRH até pelo menos os 51 anos para proteção cardiovascular e óssea.
  • Insuficiência ovariana primária (IOP): Falência ovariana antes dos 40 anos, condição que exige investigação da causa (autoimune, genética, iatrogênica) e tratamento imediato.

Sintomas do climatério e menopausa

Os sintomas variam em tipo e intensidade entre as mulheres, mas os mais frequentes incluem:

  • Fogachos (ondas de calor): Sensações súbitas de calor intenso no tronco e rosto, com rubor, sudorese e, frequentemente, palpitações. O mecanismo é vasomotor, a queda de estrogênio perturba o termostato hipotalâmico. Ocorrem em até 75% das mulheres em perimenopausa, com frequência variando de uma vez por semana a múltiplos episódios por hora.
  • Insônia: Dificuldade para adormecer e manter o sono, frequentemente provocada pelos fogachos noturnos (suores noturnos) que fragmentam o sono profundo e impedem a recuperação. A insônia crônica agrava todos os outros sintomas do climatério.
  • Ressecamento vaginal e síndrome geniturinária da menopausa: A queda de estrogênio reduz a lubrificação, a espessura e a elasticidade da mucosa vaginal, causando ressecamento, ardência, dispareunia (dor nas relações sexuais) e urgência urinária. Ao contrário dos fogachos, que tendem a melhorar com o tempo, o ressecamento vaginal piora progressivamente sem tratamento. Veja mais em Ressecamento Vaginal.
  • Alterações de humor: Irritabilidade desproporcional, ansiedade, choro fácil, depressão, especialmente na perimenopausa, quando os níveis de estrogênio flutuam de forma errática. O estrogênio modula os neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina.
  • Perda de memória e névoa mental (brain fog): Dificuldade de concentração, esquecimento de palavras, sensação de "cabeça vazia", queixa frequente na perimenopausa e menopausa precoce. O estrogênio tem efeito neuroprotetor significativo.
  • Dores articulares e musculares: Artralgias e mialgias sem causa reumática, relacionadas à queda de estrogênio, que tem efeito anti-inflamatório nas articulações.
  • Ganho de peso abdominal: A redistribuição de gordura corporal, do padrão ginoide (quadris e coxas) para o padrão androide (abdômen), ocorre com a queda de estrogênio e aumenta o risco cardiovascular e metabólico.
  • Redução da libido: Queda do desejo sexual por queda de estrogênio e testosterona, além do impacto do ressecamento vaginal na experiência sexual.
  • Incontinência urinária: Urgência e perda involuntária de urina, a uretra também é estrogênio-dependente e se torna mais vulnerável com a queda hormonal.

Causas e impacto sistêmico do hipoestrogenismo

A causa do climatério é a falência ovariana progressiva, os ovários esgotam os folículos disponíveis e a produção de estrogênio e progesterona declina. Mas o impacto vai muito além dos sintomas imediatos:

  • Risco cardiovascular: O estrogênio tem efeito protetor sobre o endotélio vascular, o perfil lipídico e a pressão arterial. Com sua queda, o risco de doença cardíaca coronariana na mulher aumenta progressivamente e, após os 65 anos, equipara-se ao do homem.
  • Osteoporose: O estrogênio inibe a reabsorção óssea pelos osteoclastos. Com a menopausa, a perda óssea acelera, podendo chegar a 2-3% ao ano nos primeiros anos pós-menopausa. O risco de fratura de quadril, vértebra e punho aumenta significativamente.
  • Saúde cognitiva: O hipoestrogenismo aumenta o risco de declínio cognitivo e demência de Alzheimer em mulheres, especialmente quando a menopausa ocorre precocemente ou quando a TRH não é iniciada na janela de oportunidade.
  • Síndrome metabólica: A redistribuição de gordura para a região abdominal aumenta a resistência insulínica, o perfil lipídico adverso e a pressão arterial, o conjunto constitui a síndrome metabólica, com alto risco cardiovascular.

Como é feito o diagnóstico do climatério

O diagnóstico do climatério é essencialmente clínico, baseado nos sintomas e na idade. Na perimenopausa, os exames laboratoriais podem ser normais ou flutuantes porque a queda de estrogênio ainda não é estável. A Dra. Gabriela Laboissiere avalia o padrão dos sintomas, o histórico menstrual e os fatores de risco individuais.

Os exames solicitados incluem: FSH e estradiol (FSH acima de 40 UI/L com estradiol baixo confirma menopausa, mas podem ser normais na perimenopausa), AMH (reserva ovariana, cai progressivamente na transição), TSH e T4 livre (excluir hipotireoidismo, que mimetiza sintomas do climatério), prolactina, testosterona (queda de testosterona contribui para baixa libido e fadiga), densitometria óssea (DEXA, avaliação de risco de osteoporose), perfil lipídico e glicemia (risco cardiovascular), e mamografia e ultrassom mamário (avaliação pré-TRH e rastreamento de câncer de mama).

Tratamentos disponíveis: TRH e alternativas

A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) com hormônios bioidênticos é o tratamento mais eficaz para os sintomas do climatério e o único com benefício comprovado para prevenção de osteoporose e proteção cardiovascular na janela de oportunidade:

Hormônio bioidênticoVia de administraçãoPrincipal indicação e características
Estradiol transdérmico (gel ou adesivo)Transdérmica (via preferencial)Evita a primeira passagem hepática, sem risco aumentado de trombose venosa. Doses ajustadas individualmente.
Progesterona micronizada (Utrogestan)Oral ou vaginalÚnica progesterona bioidêntica disponível, sem os riscos das progestinas sintéticas (como o acetato de medroxiprogesterona do estudo WHI). Melhora o sono, reduz ansiedade e protege o endométrio.
Testosterona femininaDoses fisiológicas femininasMelhora da libido, energia, massa muscular e bem-estar. Monitoramento de testosterona sérica é necessário.
Estrogênio vaginal localVaginal (ação local)Ressecamento vaginal, dor nas relações e sintomas urinários, absorção sistêmica mínima, seguro inclusive para mulheres que não podem fazer TRH sistêmica.

As alternativas não hormonais são opções para mulheres com contraindicação à TRH ou que preferem não usar hormônios: fezolinetant (modulador de receptor NK3, aprovado especificamente para fogachos), ISRS e IRSN (paroxetina, venlafaxina, reduzem fogachos em 50-60%), ospemifeno (SERM oral para ressecamento vaginal), laser vaginal de CO₂ e ácido hialurônico vaginal para saúde geniturinária. Veja mais em Terapia de Reposição Hormonal em Brasília.

Investigação clínica aprofundada: o que a Dra. Gabriela avalia

O manejo do climatério na prática da Dra. Gabriela Laboissiere vai além da prescrição hormonal:

  • Saúde do sono: A insônia do climatério tem componente hormonal (fogachos noturnos, queda de progesterona) e componente comportamental. A higiene do sono e, quando necessário, a melatonina de liberação prolongada são avaliadas em conjunto com a TRH.
  • Saúde mental: Depressão e ansiedade na perimenopausa frequentemente têm substrato hormonal, muitas mulheres iniciam antidepressivos sem avaliar se o tratamento hormonal seria suficiente. A Dra. Gabriela avalia a relação temporal entre os sintomas psiquiátricos e a transição hormonal.
  • Alimentação e composição corporal: A redistribuição de gordura para o abdômen e a perda de massa muscular (sarcopenia) do climatério são agravadas por dieta inadequada e sedentarismo. Exercício resistido e proteína adequada são recomendações centrais.
  • Medicamentos em uso: Alguns antidepressivos, anticonvulsivantes e corticoides aumentam o risco de osteoporose, a Dra. Gabriela revisa toda a lista medicamentosa no contexto do risco ósseo.
  • Histórico familiar: Mãe ou irmã com osteoporose, doença cardíaca precoce ou câncer de mama hormônio-dependente orientam a escolha do tipo e da via da TRH.

Riscos da automedicação e limitações do tratamento sem acompanhamento

O uso de hormônios bioidênticos manipulados sem prescrição médica, comprados em farmácias de manipulação sem consulta especializada, é uma realidade crescente e preocupante. Hormônios em doses inadequadas podem causar sangramento uterino, hiperplasia endometrial, trombose venosa (no caso de estrogênio oral sem indicação) e desequilíbrios hormonais iatrogênicos. Além disso, a automedicação impede o rastreamento adequado de câncer de mama, que deve ser realizado anualmente em usuárias de TRH.

Por outro lado, deixar de tratar o hipoestrogenismo também tem riscos, especialmente para mulheres com menopausa precoce, que perdem proteção cardiovascular e óssea décadas antes do esperado. O acompanhamento especializado garante que a TRH seja prescrita com indicação correta, via e formulação adequadas, contraindicações excluídas e monitoramento periódico.

Quando procurar especialista imediatamente

  • Sintomas de menopausa antes dos 40 anos, insuficiência ovariana primária é urgência médica para proteção óssea e cardiovascular.
  • Fogachos muito frequentes e intensos que comprometem o sono e a qualidade de vida, tratamento imediato é possível e necessário.
  • Sangramento pós-menopausa (qualquer sangramento após 12 meses de amenorreia), exclusão de hiperplasia endometrial e câncer de endométrio.
  • Fraturas por baixo impacto (tropeçar e fraturar) em mulher na pós-menopausa, suspeita de osteoporose grave.
  • Sintomas depressivos intensos coincidindo com início do climatério, avaliação hormonal antes de iniciar antidepressivo.

Perguntas frequentes sobre climatério e menopausa

A TRH causa câncer de mama?

Essa é a pergunta mais frequente sobre TRH, e a resposta é nuançada. O estudo WHI de 2002 gerou alarme ao sugerir aumento do risco de câncer de mama com TRH, mas análises posteriores revelaram que o estudo usou hormônios sintéticos (equinos + acetato de medroxiprogesterona), em mulheres mais velhas (média de 63 anos), sem distinção de janela de oportunidade. A TRH com estradiol transdérmico + progesterona micronizada (bioidêntica), quando iniciada no momento correto (antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos de menopausa), tem risco de câncer de mama comparável ao do consumo diário de álcool, pequeno em termos absolutos. Mulheres sem útero que usam estrogênio isolado (sem progestágeno) podem ter até redução no risco. A decisão é individualizada, com rastreamento mamográfico anual.

Com quantos anos começa a menopausa?

A menopausa natural ocorre em média aos 51 anos no Brasil, mas a faixa de normalidade vai dos 45 aos 58 anos. A menopausa antes dos 45 anos é considerada precoce, e antes dos 40 anos é chamada de insuficiência ovariana primária, condição que requer investigação da causa (autoimune, genética, iatrogênica por quimioterapia ou cirurgia). Os primeiros sintomas do climatério, fogachos esporádicos, ciclos irregulares, frequentemente aparecem 5 a 10 anos antes da última menstruação. O tabagismo antecipa a menopausa em média 1 a 2 anos.

Os fogachos têm tratamento sem hormônio?

Sim. Para mulheres que não podem ou não desejam usar TRH, existem opções não hormonais com eficácia comprovada. O fezolinetant (Veoza), aprovado nos EUA e Europa, é um modulador de receptor NK3 que atua diretamente no termostato hipotalâmico, reduz fogachos em 70-80% sem ação hormonal. Os antidepressivos ISRS (paroxetina em dose baixa) e IRSN (venlafaxina) reduzem fogachos em 40-60%. A clonidina (anti-hipertensivo) tem modesta eficácia. Fitoestrógenos (isoflavonas de soja) têm evidências inconsistentes. A escolha depende do perfil de sintomas, das comorbidades e das contraindicações de cada paciente.

Por que engordei na menopausa mesmo sem mudar a alimentação?

A queda de estrogênio redistribui a gordura corporal do padrão ginoide (quadris e coxas) para o padrão androide (abdominal), mesmo sem aumento de peso total. Além disso, o metabolismo basal diminui com a idade e com a perda de massa muscular (sarcopenia) que acompanha o hipoestrogenismo, queimando menos calorias em repouso. A resistência insulínica também aumenta na menopausa. O resultado é ganho de peso e aumento da circunferência abdominal mesmo com a mesma alimentação de antes. A TRH pode atenuar essa redistribuição de gordura; o exercício resistido é fundamental para preservar a massa muscular e manter o metabolismo basal.

É normal ter depressão na menopausa?

A perimenopausa é um período de vulnerabilidade ao humor, mulheres nessa fase têm risco 2 a 4 vezes maior de episódios depressivos, especialmente aquelas com histórico prévio de TDPM ou depressão pós-parto. O mecanismo é neurobiológico: o estrogênio modula a serotonina, a dopamina e o GABA. Com sua flutuação errática na perimenopausa, o humor se torna instável. A distinção importante é que depressão nessa fase frequentemente responde à TRH, ou melhora significativamente quando o componente hormonal é tratado. Iniciar antidepressivo sem avaliar o componente hormonal pode ser um tratamento incompleto. A avaliação integrada hormonal e de saúde mental é fundamental.

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. As indicações, os benefícios e os riscos de qualquer tratamento, incluindo a TRH e suas alternativas, devem ser avaliados presencialmente pela Dra. Gabriela Laboissiere (CRM-DF 21283 | RQE 16195), a partir do histórico e do perfil de risco de cada paciente. Não inicie nem interrompa hormônios por conta própria.

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Dra. Gabriela Laboissiere, SHIS QI 1, Lote B, Bloco A, Sala 101-4, Santos Dumont Medical Center, Lago Sul, Brasília-DF, CEP 71.605-170.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre climatério e menopausa?

A menopausa é definida como 12 meses consecutivos sem menstruação, geralmente entre 45 e 55 anos. O climatério é o período de transição que a antecede (perimenopausa) e sucede, marcado por flutuações hormonais progressivas. Os sintomas podem começar anos antes da menopausa.

A terapia de reposição hormonal é segura?

A TRH moderna, quando indicada corretamente e com monitoramento adequado, tem excelente perfil de segurança para a maioria das mulheres. O perfil individual de riscos e benefícios é avaliado pela Dra. Gabriela para cada paciente. Contraindicações como câncer de mama hormônio-dependente são critérios de exclusão.

O que fazer para amenizar os fogachos sem hormônio?

Fitoestrógenos (isoflavonas de soja), cimicifuga racemosa, exercício físico regular, técnicas de gestão do estresse e orientações sobre temperatura corporal podem reduzir a frequência dos fogachos. Alguns medicamentos não hormonais também têm evidência para controle de fogachos intensos.

A menopausa aumenta o risco de osteoporose?

Sim. A queda do estrogênio acelera a perda óssea, especialmente nos primeiros anos após a menopausa. A densitometria óssea, suplementação de cálcio e vitamina D, exercícios de impacto e TRH (quando indicada) são estratégias fundamentais de prevenção.

Ganho de peso na menopausa é inevitável?

Não é inevitável, mas a redistribuição de gordura para a região abdominal é comum pela queda do estrogênio. Com acompanhamento hormonal, orientação nutricional e atividade física adequada, é possível manter o peso e a composição corporal saudáveis durante e após a menopausa.

Fontes e referências

As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência. Consulte sempre uma profissional de saúde habilitada para orientações personalizadas.